Para Estudar o Plano Diretor de 1992 de Niterói

  • Avaliação propostas Conferencia 2007  “Documento elaborado pela prefeitura de Niterói por ocasião da Conferência das Cidades de 2007, avaliando quais as propostas que haviam sido atendidas.”
  • Bibliografia de um curso sobre instrumentos do Estatuto da Cidade do qual ministrei dois módulos:
  1. um sobre instrumentos de combate à retenção especulativa da terra,
  2. e o outro de instrumentos de gestão social da valorização da terra. Alguns citam diretamente o caso Niterói (LF Valverde)
  • EAD  Módulo VI. Bibliografia

 

Inventário sobre OUC por ordem cronológica

OUC OPeração Urbana Consorciada para a área central de Niterói

2013

  • 23 agosto 2013 DO de publicado em 24.08.2013
SECRETARIA MUNICIPAL DE URBANISMO E MOBILIDADE
Extrato do Parecer Técnico Conclusivo
Após a análise do Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV) e Relatório de Impacto de
Vizinhança (RIV) apresentados no processo 080/001596/2013 para a Operação
Urbana Consorciada da Região Central de Niterói, e o devido cumprimento das exigências
formuladas no Parecer CAED n° 163/2013, de 22/07/2013, esta CAED aprova, em 23/08/2013, os estudos apresentados.
Laudo Técnico do Parecer Conclusivo encontra-se disponibilizado no site da Secretaria
Municipal de Urbanismo e Mobilidade HTTP://www.urbanismo.niteroi.rj.gov.br

Compur

  • 12.08.2013 Reunião Ordinária (Não teve quorum)

Urbanismo novo EIV RIV

O Globo

Debate AGB Associação Geógrafos Brasileiros na UFF (algumas gravações)

O Globo

A Tribuna

O Fluminense

eiv cap 1 introdução

eiv cap 2 qualificação do empreendimento

eiv cap 3 planos e programs co-localizados

eiv cap 4 área de vizinhança

eiv cap 5 diagnóstico da área de vizinhança da OUC

eiv cap 6 impactos da OUC

eiv cap 7 programas de monitoramento da OUC

eiv cap 8 prognósticos ambiental OUC

eiv cap 9 conclusões

eiv cap 10 referencia bibliografica

eiv cap 11 equipe técnica

RIV parte 1 https://docs.google.com/file/d/0B8Y1fKP0BIVpMHQ4YXVzZkxKVmM/edit

RIV parte 2 https://docs.google.com/file/d/0B8Y1fKP0BIVpUjh0eWZVVnlQcFk/edit

Carta Aberta dos ex-presidentes IAB Núcleo Leste (Niterói)

O Globo

O Flu

O Globo

O Flu

Vídeo Colônia Pescadores Associação dos Pescadores e amigos da Praia Grande

A Tribuna

O Flu

Reunião extraordinária Compur

As 61 respostas da SMU ao MP

2ª audiência pública vídeos

O Globo

  • 16.07.2013

http://oglobo.globo.com/bairros/iab-rj-tambem-contra-projeto-atual-de-revitalizacao-do-centro-de-niteroi-9055635

O Flu

Trecho Debate IAB-RJ

O Globo

O Flu

O Flu

As 61 questões encaminhadas pelo MP a Secretaria de Urbanismo e Mobilidade em

Debate promovido pelo MPERJ

vídeos

  • 1ª audiencia pública 09.07.2013

http://www.youtube.com/playlist?list=PLpVgRHg9oPxAff20nmNtNlWTBjhem3zmv

https://www.facebook.com/notes/paulo-eduardo-gomes/1%C2%AA-audi%C3%AAncia-p%C3%BAblica-sobre-a-ouc-para-a-%C3%A1rea-do-centro-de-niter%C3%B3i/564798066909791

O Flu

Reunião COMPUR vídeos

O Globo

O Flu

O Flu

A Tribuna

O Globo

O Flu

Debate UFF vídeos

O Globo

O Globo

Áudio completo reunião Compur

O Globo

O Flu

A Tribuna

Projeto de Lei 143/2013 encaminhado à Câmara em 04.06.2013 antes deste ter sido encaminhado ao Compur- Conselho Municipal de Política Urbana em 10.06.2013

  • 04.06.2013 Minuta da Lei

https://docs.google.com/a/pauloeduardo.org/file/d/0BzUdYxEGsubcQkZBUHIwaTJackU/edit

  • 04.06.2103 Anexo e RIV 

https://docs.google.com/a/pauloeduardo.org/file/d/0BzUdYxEGsubceVpnMDlEVDZCQU0/edit

Quadro resumo do EIV/RIV no site da Urbanismo

A Tribuna

O Flu

O Globo

Apresentação fornecida no Compur

O Flu

O Globo

A Tribuna

DECRETO Nº 11373/201 do Prefeito

  • 21 de Março de 2013

http://www.niteroi.rj.gov.br/downloads/do/2013/03_Mar/22.pdf

O Globo

2012

  • Dez 2012 Apresentação ‘O Projeto’

 https://docs.google.com/file/d/0BzUdYxEGsubcY3NzeUdOVG1OWWM/edit

A Tribuna

Áudio vídeo

2011

Central de materiais escritos sobre a OUC

neste blog poderão ver os materiais formais fornecidos pela PMN assim como diversos pareceres de técnicos e artigos relativos, direta ou indiretamente sobre o assunto:

http://fopurniteroi.wordpress.com/ :

1.2 Artigo de Regina Bienenstein http://fopurniteroi.wordpress.com/2013/07/21/o-centro-de-niteroi-no-caminho-do-capital/

1.2 documentos  http://fopurniteroi.wordpress.com/2013/07/12/documentos-apresentados-sobre-a-ouc-para-o-centro-de-niteroi/

Nota Técnica IAB-NLM https://docs.google.com/file/d/0B8Y1fKP0BIVpNkcweWNmQy1ubzA/edit

Resposta IAB-NLM ao MP https://docs.google.com/file/d/0B8Y1fKP0BIVpU2M3RHQ3WC0wXzA/edit

Documento Fórum UFF Cidadeshttps://docs.google.com/file/d/0B8Y1fKP0BIVpZ2xST3BvU3VYblk/edit

Apresentação Fórum UFF Cidades https://docs.google.com/file/d/0B8Y1fKP0BIVpSC0tYWhYbV9aeEE/edit

Relatório Jorge Martins https://docs.google.com/file/d/0B8Y1fKP0BIVpdHp0TDJuZFVOQkE/edit

artigo Pedro Jorgensen http://abeiradourbanismo.blogspot.com.br/2013/06/grandes-operacoes-imobiliarias-e.html

e + comentários explicativos de Jorge Martins sobre a OUC

1.3 Leituras interessantes  http://fopurniteroi.wordpress.com/2013/07/06/leituras-interessantes/

Cidade de Exceção: Reflexões a partir do Rio de Janeiro https://docs.google.com/file/d/0B8Y1fKP0BIVpZWg3TUktM05qTk0/edit

A ‘Fórmula Mágica’ da Parceria Público-Privada: Operações Urbanas em São Paulo https://docs.google.com/file/d/0B8Y1fKP0BIVpRkxZdTZ3QW9IYWs/edit

A Urbanização e o Falso Milagre do CEPAC  https://docs.google.com/file/d/0B8Y1fKP0BIVpXzA2WFQ2cUlkeWM/edit

2 Blog Sonia Rabello http://www.soniarabello.com.br/prefeito-quer-um-cheque-em-branco-operacao-urbana-em-niteroi/

3 Secretaria de Urbanismo e Mobilidade – o EIV/RIV http://www.urbanismo.niteroi.rj.gov.br/

índice https://docs.google.com/a/pauloeduardo.org/file/d/0BzUdYxEGsubcUER0SEVsMEs5ZHM/edit

capa https://docs.google.com/a/pauloeduardo.org/file/d/0BzUdYxEGsubcUm1lVnNRd3VGZmc/edit

CD https://docs.google.com/a/pauloeduardo.org/file/d/0BzUdYxEGsubcTEFhbU1OdWlueWs/edit

abas capa https://docs.google.com/a/pauloeduardo.org/file/d/0BzUdYxEGsubcLW9NeE1aUjhQU0k/edit

cap 1 https://docs.google.com/a/pauloeduardo.org/file/d/0BzUdYxEGsubcUUpxUkYxak5CNEU/edit

cap 2 https://docs.google.com/a/pauloeduardo.org/file/d/0BzUdYxEGsubcSXpCZm5XYjBTSGc/edit

cap 3 https://docs.google.com/a/pauloeduardo.org/file/d/0BzUdYxEGsubcdTQtMkpSSVNHTWM/edit

cap 4 https://docs.google.com/a/pauloeduardo.org/file/d/0BzUdYxEGsubcNUxZOHlFMEJkRXc/edit

cap 5 EIV https://docs.google.com/a/pauloeduardo.org/file/d/0BzUdYxEGsubcOXd0VU5sWVNFVGs/edit

cap 6 EIV https://docs.google.com/file/d/1GYqlSbI1w7znNiC4SVHk1hkYUOi9SuVo9eNGB8Sz2sYWnNEZkNX0x3dQBZ6o/edit

cap 7 EIV https://docs.google.com/a/pauloeduardo.org/file/d/0BzUdYxEGsubccTQ0MFFSbktkTVk/edit

cap 8 EIV https://docs.google.com/a/pauloeduardo.org/file/d/0BzUdYxEGsubcN0pyZFk5YzU5enM/edit

cap 9 EIV https://docs.google.com/a/pauloeduardo.org/file/d/0BzUdYxEGsubcSkNMUnR1aDlrRzQ/edit

cap 10 EIV https://docs.google.com/a/pauloeduardo.org/file/d/0BzUdYxEGsubcYnRDM0MyV2ZKQjA/edit

cap 11 EIV https://docs.google.com/a/pauloeduardo.org/file/d/0BzUdYxEGsubcNUJWN0tyTUhydnc/edit

Anexo A – 1 Relatorio_TEC-AGPS-3557 https://docs.google.com/a/pauloeduardo.org/file/d/0BzUdYxEGsubcWDFocW96aHBYdUk/edit

Anexo A – 2 Anexo D_2487_13_06_2011 https://docs.google.com/a/pauloeduardo.org/file/d/0BzUdYxEGsubcTEs0NW5LWG4zczg/edit

Anexo A – 3 Anexo D_CAL200_SN_7605_-_31-05-11 https://docs.google.com/a/pauloeduardo.org/file/d/0BzUdYxEGsubcZDc4N1JmSlRlQVk/edit

Anexo A – 4 Anexo D_Certificado de Calibracao_LxT_2586 https://docs.google.com/a/pauloeduardo.org/file/d/0BzUdYxEGsubcZ0pTZWdFb3BvWlE/edit

Anexo A – 5 Anexo D _Certificado de Calibracao  https://docs.google.com/a/pauloeduardo.org/file/d/0BzUdYxEGsubcSlFHUDZYMXZxdlk/edit

Anexo A – 7 Anexo D_377B02_117619 https://docs.google.com/a/pauloeduardo.org/file/d/0BzUdYxEGsubcbU9OMlp0bzlzZmc/edit

Anexo B – Estudo de Mobilidade https://docs.google.com/a/pauloeduardo.org/file/d/0BzUdYxEGsubcMHRMNkU4NTJFdWM/edit

ART_Agrar https://docs.google.com/a/pauloeduardo.org/file/d/0BzUdYxEGsubccUhydEJFamUySTQ/edit

IT15-2013 – Consorciado https://docs.google.com/a/pauloeduardo.org/file/d/0BzUdYxEGsubcbDRfX2JqZm0zN1E/edit

RIV_Consorcio_Parte 1-2 https://docs.google.com/a/pauloeduardo.org/file/d/0BzUdYxEGsubcWUdlTmVYUWxvbTg/edit

RIV_Consorcio_Parte 2-2 https://docs.google.com/a/pauloeduardo.org/file/d/0BzUdYxEGsubcR2Q2dHptTlA5V1k/edit

RRT https://docs.google.com/a/pauloeduardo.org/file/d/0BzUdYxEGsubcbDNad29zRFIwd00/edit

http://raquelrolnik.wordpress.com/2013/07/26/niteroi-nao-da-pra-aprovar-uma-operacao-urbana-sem-discussao/

Operações Urbanas Min Cidades 

https://docs.google.com/file/d/0B8Y1fKP0BIVpU0lacFVhemRjUUk/edit

Raquel Rolnik http://raquelrolnik.wordpress.com/2013/07/26/niteroi-nao-da-pra-aprovar-uma-operacao-urbana-sem-discussao/

4 E mais (e afins)

http://direitoeurbanismo.wordpress.com/tag/operacao-urbana-consorciada/

http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2013/05/entidades-civis-questionam-revisao-da-operacao-urbana-agua-branca.html

http://www.sinaenco.com.br/downloads/Porto.pdf

http://revistafinestra.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=354:mudancas-radicais-no-centro-do-rio&catid=37&Itemid=58

http://arrepiosurbanos.blogspot.com.br/2013/03/normal-0-21-false-false-false.html

http://limiaretransformacao.blogspot.com.br/2012/12/caminho-niemeyer-de-niteroi-uma.html

http://www.mobilize.org.br/noticias/3883/estudo-para-vlt-entre-centro-de-niteroi-e-zona-sul-integra-novas-metas.html

http://www.aeerj.net.br/file/construir/construir53.pdf

http://www.anparq.org.br/dvd-enanparq/simposios/129/129-640-1-SP.pdf

http://deolhoemniteroi.blogspot.com.br/2013/06/projeto-de-revitalizacao-da-regiao-do.html

http://pizzariadopoder.blogspot.com.br/2013/07/leitor-critica-sabiamente-prefeitura-de.html

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-71832009000200012

http://www.desabafosniteroienses.com.br/2013/07/depois-da-versao-jornoquio-mesma-meia.html

http://www.desabafosniteroienses.com.br/2011/01/comentando-materia-de-raquel-rolnik-em.html

http://abeiradourbanismo.blogspot.com.br/

https://docs.google.com/a/pauloeduardo.org/file/d/0BzUdYxEGsubcZ0pTZWdFb3BvWlE/edit

O Centro de Niterói no Caminho do Capital

Regina Bienenstein
Professora Titular Programa de Pós-graduação em Arquitetura e Urbanismo – UFF
Núcleo de Estudos e Projetos Habitacionais e Urbanos – UFF

Está em discussão, no município de Niterói, uma proposta de cidade que privilegia o capital imobiliário, oferecida ao Executivo Municipal por três grandes empresas (Odebrecht, OAS e Andrade Gutierrez). Este projeto se utiliza do instrumento Operação Urbana Consorciada (OUC), previsto no Estatuto da Cidade, e propõe a extinção de todas as Áreas Especiais do Centro e suas respectivas normas de uso e ocupação do solo: as Áreas Especiais de Interesse Social (ocupadas por população de baixa renda), as de Interesse Urbanístico (campi da UFF e Caminho Niemeyer) e a de Preservação do Ambiente Urbano. Ou seja, a proposta descarta o processo de planejamento urbano construído ao longo de décadas e sintetizado no Plano Urbanístico da Região das Praias da Baía, de 2002.

O projeto de lei encaminhado à Câmara Municipal é generalista. Sem um plano urbanístico que defina com clareza o que irá acontecer no Centro, sua defesa destaca unicamente os problemas existentes na área, que, na verdade, são decorrentes de falta de manutenção pelo gestor municipal. Aponta para a necessidade de incentivo ao uso residencial, desconhecendo que o Centro de Niterói já é caracterizado pela diversidade de usos, de atividades e de classes sociais. É uma área que apresenta, além do uso comercial e de serviços, vários quarteirões com uso misto e residencial. A proposta não detalha nem fixa normas que permitam o controle da região pelo gestor público local, além de não especificar as obras, o cronograma de sua implementação e os respectivos custos.

Conforme alertado pelo Fórum UFF Cidades em diferentes ocasiões, trata-se de uma verdadeira “caixa preta” (ou um “cheque em branco”) que confere “um poder ilimitado à coalizão formada pela Sociedade de Economia Mista proposta e por empresas privadas, sem controle público efetivo”. Isto fica evidente no controle social obrigatório (artigo 33, item VII do Estatuto da Cidade), para o qual o projeto de lei estabelece um Conselho Consultivo com quatro membros do Executivo e apenas dois representantes da sociedade civil, a serem escolhidos pelo próprio Executivo.

A proposta causará diversos níveis de ruptura, não apenas na área específica da OUC, mas terá reflexos em todo o território municipal, ao permitir a compra do direito de ampliação de gabarito para até 40 andares (duas torres no espaço da atual Estação das Barcas) e até 20 andares (vários edificios no espaço entre o Terminal de ônibus e a Ponta da Areia, e entre o Caminho Niemeyer e a área urbanizada atual), sendo estimado também que estes investimentos atrairão cerca de 40 mil novos moradores para o Centro.

O Estudo de Impacto de Vizinhança, elaborado pelas mesmas empresas que desenvolveram a proposta, reconhece que o projeto provocará aumento no valor dos imóveis, nos aluguéis e no custo de vida. Assume também que acabará por expulsar as famílias de classe média baixa e as de baixa renda, os pequenos comerciantes e as lojas de atacado, o que é considerado, no documento, como efeito “inevitável, irreversível, negativo e permanente”.

O Projeto de Lei reflete uma visão de gestão urbana que privilegia o “espetáculo” e a “imagem”, em detrimento das verdadeiras necessidades de quem mora, trabalha e frequenta a região. Isto fica claro nos exemplos apresentados: grandes prédios muito iluminados, torres corporativas, objetos arquitetônicos estranhos à nossa paisagem, que, aliás, se sobreporiam às edificações do Caminho Niemeyer.

Conforme tem apontado o Fórum UFF Cidades, existem claros riscos de privatização da cidade embutidos nesse projeto. Instrumentos financeiros e urbanísticos moldarão a paisagem, a serviço de empreendedores e investidores, em obediência a um modelo de intervenção importado, repassando à iniciativa privada a gestão do “novo” espaço, com prejuízo à atenção aos problemas sociais e econômicos reais do Centro.

A Prefeitura quer aprovar um projeto de tamanha magnitude em pouco mais de dois meses e argumenta ter realizado muitas reuniões, com diferentes segmentos, o que caracterizaria a disposição para o debate democrático. Não considera que processos efetivamente participativos exigem disposição para enfrentar, escutar e avaliar críticas e propostas, e ser capaz de incluí-las ou, pelo menos, esclarecer porque não foram aceitas. Nas reuniões por segmento (OAB, CDL, Famnit), os representantes do Executivo Municipal apresentaram o projeto sem que estivessem presentes setores que poderiam estabelecer o contraditório. Nas duas únicas Audiências Públicas, promovidas pelo Legislativo Municipal, e nos debates promovidos pela Escola de Arquitetura e Urbanismo – UFF e pelo Ministério Público, uma sucessão de opiniões divergentes, dúvidas técnicas e propostas de alteração foram encaminhadas por vários setores da sociedade, sem que nenhuma modificação tenha sido feita no projeto de lei que tramita na Câmara.

Temos nos posicionado pela imediata revisão do Plano Diretor aprovado em 1992. O Executivo, como enfatizou o Vice-Prefeito, recusa tal proposta, com o argumento de que imobilizaria a gestão “por até três anos” e impediria a realização de ações importantes para a cidade. Ora, esta afirmativa é falaciosa, pois a elaboração de um Plano Diretor não demanda um longo tempo e não impede a implementação de ações já estudadas e planejadas para a administração cotidiana da cidade. E Niterói já tem alguns Planos que esperam por ser implementados, entre eles, o Plano Local de Habitação de Interesse Social e o Plano Municipal de Redução de Risco, este último de suma importância para evitar novas tragédias, como as já vividas pela cidade em 2010.

O Fórum UFF Cidades tem defendido a recuperação do Centro de Niterói dentro de uma perspectiva social, que deve começar com a aplicação de instrumentos do Estatuto da Cidade que contribuam para assegurar a função social da cidade e da propriedade. Em vez de torres que se destacam na paisagem, em conflito com as edificações do Caminho Niemeyer e com a própria ocupação atual do Centro, nossa proposta volta-se para a escala humana e para as reais necessidades da população. No lugar de uma “revitalização” baseada na atração do grande capital imobiliário, que expulsará a população e as atividades tradicionais, nossa proposta aponta para a melhoria dos serviços urbanos; para o estímulo ao aproveitamento dos imóveis vazios e subutilizados como moradia popular e de classe média; a organização do dinâmico comércio popular; a valorização do comércio já presente na área e o incentivo à recuperação do patrimônio edificado.

Por tudo o que foi mencionado e por existirem alternativas que não acirram a exclusão socioespacial, o Fórum UFF Cidades defende a imediata retirada do projeto de lei da OUC / Centro de Niterói da Câmara Municipal e reafirma a urgência da revisão do Plano Diretor, iniciativas que permitirão abrir o debate sobre a política urbana e a cidade desejadas pelo cidadão niteroiense.

Documentos apresentados sobre a OUC para o Centro de Niterói

Documentos enviados por diversas instituições como colaboracão na avaliação do PL encaminhado à Câmara para a OUC do Centro de Niterói

Nota Técnica do IAB Núcleo Leste Metropolitano

Resposta do IAB-NLM ao Ministério Público

Documento do Fórum UFF Cidade

Apresentação Fórum UFF Cidade

Documento da ADEMI

Avaliações sobre a OUC para o Centro de Niterói

  • Nota do arquiteto Jorge Martins sobre matéria d’O Globo publicada dia 07.07.2013

A MENTIRA DA PREFEITURA NO GLOBO DE HOJE

Amigos e companheiros arquitetos e urbanistas,

Hoje O Globo-Niterói está publicando matéria visivelmente tendenciosa, porque promove argumento falacioso da Prefeitura e esconde a crítica que a sociedade tem feito a esse projeto de construir torres no Centro feitos pelas maiores construtoras do país e contribuintes indiretos para a campanha a prefeito de Niterói com R$ 6 milhões.
O que a Prefeitura está divulgando é que reduziu à metade o potencial construtivo do Centro; não é verdade: isso é jogo de palavras, uma manipulação do fato. O que fizeram foi retirar dos cálculos do potencial construtivo os imóveis que tendem a não interessar ao mercado, que são: os bens tombados, os de interesse de preservação e os com 3 ou mais pavimentos. E isso significa quase 50% do total de lotes do Centro.
A falácia consiste no fato de que esse desinteresse do mercado por esses tipos de lotes também ocorreria no futuro, mesmo sem a OUC, mantendo-se os atuais parâmetros urbanísticos. Ou seja: reduziram chongas, estão é trabalhando com números realistas, pois se sabe que nem todo o potencial construtivo previsto nas leis ocorrem porque há limitações de alguns lotes (como esses três tipos).
Então, a falácia do projeto da Prefeitura consiste no seguinte: fizeram essa manobra para parecer terem reduzido o potencial construtivo à metade, mas em nenhum momento demonstraram ser esse potencial construído suportado pela infraestrutura, exigência do estatuto da Cidade para ser ofertado potencial construído adicional. Portanto, sem lastro, não pode o município ter a pretensão de vender Cepac a descoberto.
Pra mim, equipe técnica que esconde a verdade da população e não demonstra claramente a memória de cálculo trai o cidadão, o contribuinte, para servir ao grande capital imobiliário. Esse servidores não podem continuar a ser pagos com nossos impostos para atenderem o interesse das construtores que fizeram o projeto, mas deveriam analisá-lo criticamente em razão do interesse público.
Funcionário público que engana o povo tem que ser exonerado e prefeito que se torna gerente de incorporador que contribuiu pra sua campanha tem que sofrer impeachment.
A Democracia que queremos é o direito de recall, pois prefeito que prometeu acabar com verticalização e 6 meses depois insiste em querer construir torres de 46 andares e aterrar a baía não dá pra engolir…

  • outra Nota Jorge Martins

Texto de Jorge Martins a respeito do projeto de REURBANIZAÇÃO do Centro que a PMN quer implantar:
Esse quadro só é tranquilizador para o leigo. Para o profissional, esse quadro é a prova do absurdo que é esse projeto. Vamos lá:
Primeiro ponto: está proposto o setor 11.1 dentro da baía, empurraram a linha de costa lá pro Caminho Niemeyer; nesse setor em aterro ( que é proibido, pois a Baía e bem de preservação permanente na Constituição do Estado) estão propostos 40 andares de torre mais 6 andares de embasamento (total 46), o único terreno hoje desse setor é o de Barcas S.A. que é controlada pela Andrade Gutierrez, que foi quem fez esse plano, portanto, é no mínimo imoral ter-se o maior potencial construtivo exclusivo para o próprio planejador, evidenciando-se não ter tido outro critério para justificar porque logo na linha d’água vai-se construir tão alto? É para tirar a visão do mar para a cidade que está atrás?;
Segundo: o potencial adicional construtivo (para investidores que comprarem Cepac) mais o potencial básico (direito de construir do proprietário) dá em torno de 2 milhões de m2. Se fosse verdade que seriam só 135 prédios (e não é, aliás a Prefeitura não pode dar garantias desse número) cada um teria quase 15 mil m2 de área útil, ou em torno de 25 mil m2 de área total construída. Admitindo-se lote padrão de 360 m2, taxa de ocupação de 70% e limitado ao gabarito de 15 pavimentos de torre mais 6 pavimentos de embasamento (considerando-se o setor 2,2, por exemplo), cada andar teria em torno de 1200 m2 e seria necessário lote mínimo de 1700m2, equivalentes a 5 lotes padrões, por isso a lei incentiva com 15% a mais de potencial construtivo o remembramento de lotes e admite blocos de 50 metros de lado, ou seja: a metade de um quarteirão… Imaginem vocês o que é andar numa rua com blocos de 50m x 50m e 21 andares, ou 26 andares ao lado do Carrefour, podendo chegar a 46 andares no aterro ilegal e no terreno de Barcas SA; isso tira nosso principal atributo, que é ter a vista do Rio. Ninguém mais da R. Visconde de Rio Branco terá visão da orla. E isso que é fazer a cidade voltar-se pro mar? Esse discurso das construtoras que a Prefeitura resolveu legitimar subverte a verdade! Por que a Prefeitura está fechada com esse discurso e não admite a crítica?
Mas o que é pior não é nada disso. O que é pior é isso aqui: transcrito do próprio Estudo de Impacto de Vizinhança e que parece ter sido ignorado pela Prefeitura, visto não ter sido apresentada nenhuma efetiva medida mitigadora:
“A revitalização dos bairros centrais do município, com melhorias no sistema viário e nas estruturas urbanas, provocará o aumento no valor do solo. Esse aumento terá reflexo direto sobre os preços dos alugueis tanto dos estabelecimentos comerciais e de serviços, quanto dos residenciais. O aumento dos alugueis é diretamente repassado aos serviços e mercadorias oferecidos nos estabelecimentos locais, encarecendo, assim, o custo de vida desses bairros. Os novos tipos de estabelecimentos comerciais e de serviço também serão direcionados a atender outro público, com um poder aquisitivo maior, que ingressará na área central com a construção dos novos empreendimentos imobiliários e comerciais. Dos bairros que estão inseridos na OUC, pelo menos quatro possuem 40% ou mais da sua população recebendo até dois salários mínimos. No bairro Centro são 40% da população vivendo nessa realidade, em Ponta D’Areia 56%, enquanto no Morro do Estado 90% da população recebem até dois salários mínimos mensais. Essa parcela da população é a mais vulnerável, pois o aumento nos valores dos alugueis, mercadorias e serviços básicos na área de vizinhança encarece o custo de vida. Por conseguinte, essa parcela da população tenderá a deixar esses bairros e procurará outros locais de moradia, onde o custo de vida seja compatível com o rendimento mensal. A segregação social acaba se reproduzindo dentro do tecido urbano da cidade, impedindo a reprodução social das camadas mais pobres da população nos bairros que sofrerão as intervenções. As comunidades de baixa renda que habitam esses bairros serão as principais afetadas com o aumento do custo de vida da região e com a especulação imobiliária.” (Página 35 do Capítulo 6).